‘Cuidando do Cuidador’ foi tema de palestra no I Encontro Latinoamericano de Familiares de Pacientes de Câncer Infantil

Psicóloga clínica dividiu conhecimentos sobre os sentimentos vivenciados pelos cuidadores durante o tratamento

Quando pensamos nos cuidadores envolvidos no tratamento do câncer infantil nos vem à mente a imagem da mãe da criança ou do adolescente. Apesar de a figura da materna representar a maioria dos casos, há muitos outros cuidadores envolvidos e que também precisam de cuidados para se fortalecerem emocionalmente, para assim manterem o apoio.

De acordo com a Dra. Nely Aparecida Guernellio Nucci, especializada em Psicologia Clínica pela USP, nos ambientes hospitalares há os cuidadores profissionais (equipe médica, enfermeiros, assistentes sociais etc.), os informais (familiares, vizinhos e amigos) e os voluntários. A psicóloga foi uma das palestrantes do I Encontro Latinoamericano de Familiares de Pacientes de Câncer Infantil, promovido pelo GRAACC na última sexta-feira, dia 16 de março.

Segundo Nucci, enquanto os profissionais e os voluntários fazem a escolha de serem cuidadores, os informais, ou seja, familiares e amigos de quem adoeceu, não têm escolha e, muitas vezes, são os que mais sofrem o impacto desse acontecimento em seu cotidiano. “Quem tem maior ‘afetividade’ com o paciente não tem como não ser ‘afetado’ ao conviver com as suas dores”, explicou.

A psicóloga defendeu o uso de um diagrama entre os cuidados curativos e os cuidados paliativos, no qual os últimos possam ser intensificados ou reduzidos de maneira contrária aos primeiros, de acordo com as condições do indivíduo, proporcionando mais qualidade de vida, sem reduzir precocemente as possibilidades de cura.

A palestra abordou também as etapas do luto: negação, raiva, depressão, barganha e aceitação ou resignação. Porém, desmistificou que o luto aconteça apenas após uma morte. “A vida é repleta de pequenos lutos, que podem ser por um ciclo que se fechou, um projeto finalizado ou fracassado, uma despedida. No caso dos pacientes, se é necessária a amputação de um membro, é vivido um luto”, exemplificou.

Foram apresentados ainda temas como o cuidado de adolescentes, as consequências de um luto não vivido e os sentimentos de culpa, raiva, compaixão, medo, entre outros, que impactam a vida de quem acompanha o tratamento de uma pessoa próxima.