O professor e filósofo Mario Sergio Cortella estreia a série de Encontros GRAACC

Insatisfação é ruim? Filósofo explicou como ela pode ser positiva e levar ao êxito, enquanto a acomodação leva à mediocridade

Nesta terça-feira, 17 de abril, cerca de 300 pessoas prestigiaram o grande pensador contemporâneo, Mario Sergio Cortella. A palestra foi a estreia da série Encontros GRAACC, que tem como objetivo reunir grandes personalidades e seus públicos em prol do combate ao câncer infantil. Sob o tema “Da oportunidade ao êxito: Mudar é complicado? Acomodar é perecer!”, o filósofo explicou sobre os benefícios da insatisfação positiva, que motiva as pessoas a buscarem melhorias em tudo o que fazem, evitando a mediocridade.

“A excelência não é um lugar aonde se chega, mas um ponto no horizonte”, foi uma frase que exemplificou histórias como a do GRAACC, que começou em 1991 em uma casinha de apoio e se tornou um hospital centro de referência. Também falou sobre a banda Rolling Stones, que poderia ter se aposentado após tanto sucesso, mas continua gravando discos e embarcando em turnês. “O rock simboliza modernidade e a maior banda da história tem mais de meio século, isso ocorre porque ela não se acomodou na satisfação por inteiro, que distrai e entorpece” falou Cortella em referência à música I Can’t Get No Satisfaction.

Cortella também falou sobre o voluntariado e fez uma analogia com a chama de uma vela. “ Eu tenho uma vela acesa, você apagada. Se eu passo parte da chama da minha vela para a sua, tudo fica mais iluminado para nós dois. Não há nenhum prejuízo em repartir a chama da minha vela, ao contrário, só há ganho. A doação de tempo, conhecimento e afeto é multiplicação, não é divisão”, explicou.

Aos pais e cuidadores dos pacientes do GRAACC, que enfrentam grande mudança na vida após o diagnóstico da doença, Cortella citou Guimarães Rosa, dizendo que a vida é grande sertão, mas temos que buscar as veredas. “As veredas, neste caso, são as pessoas que podem apoiar esses pais, trocar experiências parecidas e profissionais que não os deixem entrar em desespero, como é o papel desempenhado por especialistas do Hospital do GRAACC”, recomendou. Para ressaltar que esses familiares não podem se preparar para essa jornada sozinhos, ele lembrou uma cena clássica, produzida por Michelangelo na Capela Sistina e reproduzida por Steven Spielberg no filme E.T.- O Extraterrestre, em que os dedos se encontram para impedir o abandono. “A doença de um filho faz parte do imponderável, é uma mudança que não se trata de uma escolha, mas de um evento que pega a todos de surpresa. Eu tenho netos e não me preparo para que um deles tenha câncer, mas tenho que ter um pouco de serenidade para imaginar que, se isso acontecer comigo, eu não estarei sozinho, sempre haverá um dedinho para que eu possa encostar”, ilustrou o filósofo.

A palestra foi doada para o GRAACC e aconteceu no auditório da Faculdade das Américas (FAM), que também cedeu o local para a instituição.