TMO

Em 20 anos de existência do Centro de Transplante de Medula Óssea do GRAACC 691 pacientes foram atendidos e 736 procedimentos realizados.

Uma dor na perna foi o primeiro sintoma que o Guilherme sentiu. Quando não conseguia mais encostar os pés no chão e após alguns exames, o menino com apenas 2 anos foi encaminhado para o GRAACC e o diagnóstico confirmado: um meduloblastoma.

O tratamento envolveu um ano de sessões de quimioterapia, uma cirurgia e um Transplante de Medula Óssea (TMO) autólogo. “Embora cerca de 70% dos casos de câncer na infância sejam tratados com sucesso com quimioterapia, radioterapia e cirurgia, há uma parcela destes casos que não respondem bem a terapia inicial ou que, pela sua agressividade, necessitam do procedimento. O transplante autólogo pode ser indicado, então, para os tumores sólidos que são mais resistentes a quimioterapia, como o câncer na cabeça e na barriga”, Dr. Victor Zecchin, médico coordenador do centro de TMO do Hospital do GRAACC.

Outros dois tipos de transplantes de medula são realizados no Hospital do GRAACC são: o Alogênico com um doador que pode ser ou não aparentado e é realizado em pacientes com leucemia; e o Haploidêntico realizado com doador parente de primeiro grau com 50% de compatibilidade, sendo uma alternativa quando não se encontra um doador 100% compatível.

No caso do Guilherme, ele retirou a própria medula sadia, congelou e tomou altas doses de quimioterapia para limpar as células doentes do corpo para recebê-la novamente.

O processo é semelhante a uma transfusão de sangue. Por meio de um cateter, as células vão pela circulação sanguínea até chegar no tutano, que é o local onde a medula óssea é armazenada no corpo humano.

Em 20 anos de existência do Centro de Transplante de Medula Óssea do GRAACC 691 pacientes foram atendidos e 736 procedimentos realizados. Muitas vezes, essaé única alternativa para alcançar a cura. “Um dos principais fatores de sucesso no transplante é o momento em que ele é realizado – quanto mais a doença avança, menores os índices de cura. Estar em um centro especializado nos confere autonomia e agilidade nos processos”, diz Dr. Zecchin.

Após o procedimento, o paciente fica internado em uma área especial no hospital, adequada para protegê-lo de quaisquer agentes infecciosos. Neste período, ele fica sem imunidade e, consequentemente, muito fragilizado. Após algumas semanas, a medula começa a funcionar e gerar células boas novamente.

“Quando veio a notícia de que a medula pegou foi um alívio pra gente. O Guilherme se recuperou muito rápido e logo já estava correndo e brincando pelo hospital novamente”, relembra a mãe, Gislene Rodrigues. Agora ele está livre do tumor e faz acompanhamento no GRAACC.

Ser um centro especializado confere ao GRAACC a autonomia e acesso mais fácil e rápido ao tratamento. A área está preparada para realizar os mais complexos tipos de transplantes, com um laboratório de criopreservação equipado com aparelhos de alta qualidade e operado por um grupo de profissionais especializados no manejo das células, sendo referência nacional. A equipe multidisciplinar e as ações de humanização também são fundamentais para o sucesso desses procedimentos tão complexos, que garantem que os pacientes tenham todas as chances de crescer e ter um futuro todo pela frente.

De acordo com o INCA, o Brasil tem o terceiro maior registro nacional de doadores de Medula Óssea do mundo, com mais de 4 milhões de inscritos, chamado REDOME, interligado com outros órgãos internacionais. Quando não é encontrado um doador aparentado 100% compatível, o paciente é inscrito no banco.