Neste sábado, o III Congresso Internacional de Oncologia Pediátrica do GRAACC realizou uma mesa de debates sobre os desafios contemporâneos no reconhecimento, na avaliação e no tratamento da dor refratária na oncologia pediátrica. Durante o encontro, os palestrantes discutiram estratégias terapêuticas e experiências que podem contribuir para uma assistência cada vez mais humanizada, segura e baseada em evidências.
Embora os avanços no diagnóstico e no tratamento oncológico tenham ampliado as possibilidades terapêuticas e de sobrevida, o controle adequado da dor ainda representa um desafio. Isso ocorre especialmente nos quadros refratários, quando as estratégias convencionais se mostram insuficientes.
Por isso, o manejo da dor refratária na oncologia pediátrica exige uma abordagem individualizada, integrada e multimodal. A equipe precisa considerar as particularidades do desenvolvimento infantil, a natureza e a intensidade da dor, os tratamentos em curso e as necessidades da criança e de sua família.
A terapeuta ocupacional Monica Estuque, do GRAACC, abordou o cuidado para além da farmacologia. Em sua apresentação, Monica refletiu sobre o processo de adoecimento e sobre como, muitas vezes, o paciente “vai parando de viver”.
“Em muitos cenários, nós, profissionais da saúde, vemos a ocupação dessas pessoas deixar de acontecer. E a vida da gente é pautada pelo que a gente faz. O que dá sentido à nossa vida são as atividades, as nossas ocupações e aquilo que podemos fazer sozinhos. Com a criança e com o adolescente é a mesma coisa”, explicou.
A dor oncológica pediátrica é uma experiência multidimensional que pode afetar o brincar, o sono, a participação escolar, as relações sociais e a autonomia da criança.
Nesse contexto, embora o tratamento farmacológico seja essencial, o manejo da dor também precisa considerar aspectos emocionais, cognitivos e funcionais. Dessa forma, diferentes estratégias podem atuar de maneira complementar no cuidado.
“Quando falamos dos pacientes que são crianças, uma atividade significativa na vida delas é o brincar. O brincar permite se autoconhecer, crescer, se relacionar com outras pessoas, além de contribuir para a distração e o redirecionamento da atenção”, salientou Monica.
Além disso, a terapeuta destacou a importância de perguntar o que a criança ou o adolescente deseja naquele momento.
Segundo Monica, é por meio dessas perguntas que a equipe constrói o apoio ao longo do tratamento oncológico. Assim, o cuidado mantém como objetivos o alívio do sofrimento e a promoção da qualidade de vida.
O olhar dos profissionais também precisa considerar a história do paciente e, principalmente, a vida cotidiana que ele tinha antes e durante o tratamento.
Nesse sentido, preservar o máximo possível do vínculo da criança ou do adolescente com a própria história ajuda a fortalecer sua autonomia, mesmo quando ela se encontra limitada pelas condições clínicas.
Portanto, o cuidado não deve se restringir ao controle da intensidade da dor. Ele também pode contribuir para a qualidade de vida e para a preservação das experiências que fazem parte da identidade e da rotina do paciente durante o tratamento oncológico.
A programação também conta com a participação de especialistas representantes da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO), Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE), Sociedade Internacional de Oncologia Pediátrica (SIOP) e Sociedade Brasileira de Neurocirurgia Pediátrica (SBNPed).
Saiba mais em: https://congressograacc.com.br/graacc2026
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Por Andrea Garbim

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