A atenção à saúde de adolescentes e adultos jovens com câncer envolve desafios que ultrapassam o diagnóstico e o tratamento da doença. Questões relacionadas à sexualidade, gestação, identidade, desenvolvimento, fertilidade e transição para o cuidado na vida adulta também fazem parte da jornada desses pacientes.
Nesse contexto, o III Congresso Internacional de Oncologia Pediátrica do GRAACC reuniu especialistas para discutir diferentes aspectos do cuidado integral de adolescentes e jovens adultos no contexto da oncologia.
Ao abordar câncer na adolescência, a mesa destacou a importância de considerar não apenas as necessidades clínicas, mas também questões que fazem parte dessa fase da vida.
A ginecologista Sue Yazaki Sun apresentou os desafios relacionados ao acompanhamento da gestação em adolescentes que enfrentam o câncer. Durante a apresentação, abordou os cuidados necessários tanto para a saúde da paciente quanto para a gestação.
Além disso, a discussão reforçou a importância da prevenção do câncer do colo do útero, especialmente por meio da vacinação contra o HPV.
Segundo a ginecologista, existem tipos de câncer que não podem ser prevenidos. No entanto, o câncer do colo do útero conta com uma importante forma de prevenção.
“Existe uma vacina contra o HPV, e todos os pais e mães têm a responsabilidade de levar seus filhos para se vacinar. É uma forma de mitigar essa doença e, no futuro, não termos mais câncer de colo do útero”, ressaltou.
Na sequência, a Dra. Andrea Hercowitz, médica de adolescentes, trouxe para o debate os desafios do atendimento a pacientes LGBTQIA+.
A especialista destacou que o diagnóstico de uma doença não deve se sobrepor à identidade do paciente. Por isso, acolhimento e respeito precisam estar presentes tanto na relação com a equipe de saúde quanto nas diferentes situações vivenciadas durante a hospitalização.
“Adolescentes com orientações sexuais e identidades de gênero diversas precisam ser respeitados onde quer que estejam. Eles têm o direito de receber a visita de sua parceria, seja ela heterossexual ou homossexual, e de serem chamados pelo nome de escolha e pelos pronomes que preferem, tanto nos registros do hospital quanto no ambiente familiar. Eles já estão fragilizados pela doença e merecem todo o respeito à sua própria identidade”, explicou a médica.
Outro tema da programação foi a palestra “A saúde também passa pela sexualidade: por que precisamos falar sobre disfunção sexual em jovens e adolescentes”.
A Dra. Adriana Seber, médica coordenadora da equipe de Transplante de Medula Óssea do GRAACC, mediou a discussão, que destacou a importância de reconhecer e abordar questões relacionadas à saúde sexual durante o acompanhamento oncológico.
Nesse sentido, falar sobre sexualidade também faz parte do cuidado integral de adolescentes e jovens que enfrentam o câncer. A abordagem considera não apenas os efeitos da doença e do tratamento, mas também aspectos relacionados à qualidade de vida e ao desenvolvimento.
Para a Dra. Ana Virginia Lopes de Sousa, médica oncologista do GRAACC e coordenadora da mesa-redonda, o cuidado do câncer na adolescência vai além do tratamento da doença.
Além disso, é preciso considerar os diferentes aspectos da vida que ainda estão em construção nessa fase, como identidade, sexualidade e projetos de maternidade.
“É reconhecer que existe uma vida inteira em construção, identidade, sexualidade, maternidade, que merecem espaço”, declarou.
Ao reunir questões clínicas e aspectos relacionados à qualidade de vida, autonomia e desenvolvimento, a mesa reforçou a necessidade de um cuidado integral e individualizado para adolescentes e jovens.
Dessa forma, o acompanhamento considera não apenas o câncer e seu tratamento, mas também as diferentes dimensões da vida de cada paciente. Assim, temas como identidade, sexualidade, gestação e projetos futuros também encontram espaço durante o cuidado oncológico.
A programação também conta com a participação de especialistas representantes da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO), Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE), Sociedade Internacional de Oncologia Pediátrica (SIOP) e Sociedade Brasileira de Neurocirurgia Pediátrica (SBNPed).
Saiba mais em: https://congressograacc.com.br/graacc2026
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Por Mayara Rabelo

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