“Quero ir na ‘pilização’”. Era assim que Ana, uma das primeiras pacientes que passou pelo nosso serviço, fazia referência à sala de radioterapia, quando realizou o seu tratamento há quase dez anos. “Não sei como surgiu essa palavra, mas era a maneira dela dizer que queria estar na rádio”, revela Suzana, mãe da menina.

Ana começou seu tratamento em 2014, com menos de três anos de idade; já havia recebido quimioterapia e passado por cirurgia e um transplante de medula óssea antes de começar as sessões de radioterapia.

“Esta terapia consiste em receber, de forma localizada, um tipo específico de alta energia conhecida como radiação, visando a eliminar ou inibir o crescimento das células tumorais”, explica o Dr. Michael Jenwei Chen, radio-oncologista e coordenador do departamento de radioterapia do GRAACC.

Cada paciente de nosso hospital recebe um tratamento extremamente personalizado e específico para o seu tipo de tumor. “No caso dos pacientes pediátricos, há a exigência de um conhecimento técnico associado a cuidados muito particulares, diferentes dos que adultos necessitam. Nós precisamos tratar a criança não somente para alcançar resposta tumoral, mas também pensando no adulto que essa criança vai se tornar após a cura da doença. Para isso, oferecer tratamentos menos tóxicos, que possibilitem uma maior proteção dos tecidos saudáveis, é fundamental na diminuição do aparecimento e da intensidade dos efeitos colaterais tardios. O nosso serviço foi assim idealizado e, por isso, investimos na equipe e em sistemas de segurança e de qualidade, incluindo um aparelho de tratamento que permite a utilização de técnicas modernas de Radioterapia com Intensidade Modulada (IMRT) e de Radioterapia Guiada por Imagem (IGRT), ambas com importante papel na realização de procedimentos direcionados para a região do tumor e evitando as áreas sadias no entorno”, completa Dr. Chen.

 

Humanização

Fazer tratamento de radioterapia significa realizar sessões diárias e consecutivas, que, apesar de indolores, exigem do paciente entendimento e cooperação para permanecer deitado e imóvel durante algum tempo. Algumas sessões podem demorar cerca de uma hora, e crianças muito pequenas ou debilitadas não possuem essa tolerância.

Por requerer ficar longe dos pais, mesmo as sessões mais curtas, em um ambiente estranho, após tantos acontecimentos recentes – muitos dos quais dolorosos – a radioterapia pode ser um dos momentos mais difíceis na jornada do paciente oncológico pediátrico.

É para acolher e preparar a criança e o adolescente, assim como a sua família, que o setor de psicologia do nosso hospital atua durante todas as etapas do tratamento de radioterapia. São desenvolvidas várias técnicas que amenizam tal momento, diminuindo a ansiedade e aumentando a confiança no processo

“Como a Ana era pequena e não ficaria imóvel para o tratamento, ela tinha que ser sedada. Então a equipe colocava a música de uma novela que ela gostava e só depois de dançar é que Ana seguia para o aparelho. Acabou criando um vínculo com todos e minha filha associou a música a um momento divertido. Essa humanização adotada no serviço ajudou demais com a adesão ao tratamento”, explica Suzana, mãe da Ana.

A tecnóloga em radioterapia Mayara, uma das profissionais de nosso Hospital que atendeu a Ana, reforça a importância de conhecer melhor o paciente e sua família na busca de tornar esse momento mais leve. “Ana fez 32 sessões de radioterapia no GRAACC. Sabíamos que ela gostava da música e antes de ela chegar na sala já deixávamos tudo preparado. Era uma festa”, recorda.

Hoje, Ana tem 12 anos e mora na cidade de Alegre, no Espírito Santo. Leva uma vida ativa de pré-adolescente. Lutadora desde pequena, hoje pratica caratê, que adora, e tem uma vida inteira pela frente. Quando vem para São Paulo realizar seus exames regulares no GRAACC, ainda se lembra e faz questão de visitar a “pilização


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