Lisa tinha apenas 2 meses de vida quando a mãe, Rebeca, percebeu que algo parecia diferente em seus olhos. Os exames iniciais não apontavam alterações, mas a sensação de que havia algo errado continuava.
“Como a gente está ali todos os dias, conhece o filho, conhece cada detalhe, aquilo continuava me incomodando”, lembra.
A partir daquele momento, tudo aconteceu rapidamente. Em poucos dias, a família chegou ao GRAACC e recebeu o diagnóstico. Rebeca lembra que, no começo, o sentimento era de medo e muitas dúvidas.
“Não é uma coisa comum. A gente não sabia o que era. A gente se acabou naquele momento”, conta.
Mesmo depois do início do tratamento, a família precisou enfrentar novos desafios ao longo dos anos. A Lisa passou por recidivas que trouxeram novas etapas e exigiram novos cuidados. A cada mudança, a rotina precisou ser reorganizada, mas a família decidiu seguir da mesma forma: um passo de cada vez.
“A gente sempre pensava: tem que fazer? Então vamos fazer”, afirma.
Os anos passaram e a rotina de consultas, exames e acompanhamentos também trouxe algo que a família não esperava encontrar: vínculos.
Ao longo do tratamento, que envolveu cirurgia, quimioterapia e radioterapia, a família conheceu outras pessoas, ouviu histórias e criou amizades que continuam até hoje.
“A gente ouve muitas histórias, cria amizades. Mesmo quando a gente não se vê tanto, continua se falando”, diz Rebeca.
Dentro do hospital, alguns rostos passaram a fazer parte da rotina da menina. Depois de tantos anos, ela conhece profissionais pelo nome e fala sobre eles com naturalidade.
Rebeca também destaca o carinho que a família desenvolveu pela equipe.
“É um carinho imenso que a gente tem pelos médicos e funcionários. Tem pessoas que reconhecem a gente desde a portaria quando chegamos”, conta.
Ela diz que esse acolhimento fez diferença ao longo dos anos.
“É uma felicidade quando eu falo: minha filha é paciente do GRAACC.”
Rebeca lembra que houve períodos longos dentro do hospital e momentos em que a família precisou se adaptar completamente à nova realidade. Ainda assim, ela diz que nunca deixou de acreditar.
Hoje, aos 8 anos, Lisa volta esporadicamente ao hospital para exames de rotina e já circula pelos corredores como quem conhece cada cantinho. Fala bastante, participa das conversas, responde rápido às perguntas e reconhece muitos dos profissionais que acompanham sua história desde os primeiros anos de vida.
Depois de tantas idas e vindas, o ambiente que antes assustava a família também passou a guardar memórias afetivas. Ela lembra de detalhes que ajudam a tornar os atendimentos mais leves, como o “cheirinho de pirulito”, usado durante alguns procedimentos que exigem sedação e que ela faz questão de pedir sempre que pode.
Ao olhar para trás, Rebeca sabe que a caminhada foi marcada por momentos difíceis, principalmente durante as recidivas. Ainda assim, o que permanece mais forte na memória é a sensação de acolhimento que encontrou ao longo do tratamento.
“É uma felicidade quando eu falo: minha filha é paciente do GRAACC”, diz.
Aos poucos, hoje, entre escola, brincadeiras e planos para o futuro, a família celebra justamente aquilo que desejou durante tantos anos: ver a Lisa crescer e continuar vivendo a infância do jeito dela.

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