História da paciente Melinda

Melinda muda de ideia quando fala sobre o que deseja ser ao crescer. Às vezes, escolhe a carreira policial. Em outras, diz que seguirá a odontologia, profissão da mãe, Carla.

Prestes a completar oito anos, ela cursa o segundo ano do ensino fundamental, lê, escreve, faz natação e já expressa com clareza suas preferências. Hoje, vive uma infância cheia de descobertas, uma realidade que parecia distante quando chegou ao GRAACC, com apenas três meses.

 

A chegada ao GRAACC

Ainda bebê, Melinda começou a apresentar vômitos frequentes. A princípio, a família acreditava que se tratava de refluxo. No entanto, como os sintomas persistiram, novos exames foram realizados e identificaram um tumor na cabeça.

Diante do diagnóstico, ela passou por uma cirurgia de emergência em Uberlândia, onde a família vive. Logo depois, os pais receberam a orientação de que a filha deveria continuar os cuidados em um hospital preparado para atender crianças tão pequenas. Por isso, a transferência para o GRAACC foi organizada rapidamente.

“Fechei minha casa, meu consultório e fomos para São Paulo sem data para voltar”, recorda Carla.

A partir de então, os três permaneceram juntos na capital paulista durante os meses seguintes. A mãe interrompeu temporariamente o trabalho como dentista, enquanto o marido conseguiu exercer suas atividades a distância. Assim, os dias passaram a ser organizados entre consultas, exames, internações e os cuidados com a menina.

 

A menina dos laços

Mesmo naquele período, Carla fazia questão de vestir a filha com roupas coloridas e grandes laços no cabelo. Não demorou para que ela ficasse conhecida no hospital como “a menina dos laços”.

“Eu pensava que aquela era a nossa realidade e não sabia quando sairíamos dali. Se ela não usasse os vestidos e os laços naquele momento, quando usaria?”, conta.

Após receber alta, a garota continuou voltando ao GRAACC para acompanhamento. Com o passar do tempo, os retornos ficaram mais espaçados e, hoje, acontecem uma vez por ano.


História da paciente Melinda virou livro 

Por ter sido muito pequena durante o período em que esteve no hospital, ela não guarda lembranças daqueles primeiros meses. Ainda assim, aos três anos, mostrou que já compreendia parte do que havia vivido.

Naquela época, durante um projeto escolar, as crianças fizeram desenhos que depois seriam transformados em livros. Em suas páginas, Melinda contou que, quando era bebê, a mãe colocava laços em seu cabelo.

Em seguida, relatou que ficou doente, tomou muitos remédios, recebeu cuidados em um hospital e, por fim, pôde voltar para a escola.

Ao conhecer o conteúdo, a diretora chamou Carla antes mesmo da apresentação do projeto.

“Ela me mostrou o livro chorando. Foi quando percebi que, do jeito dela, Melinda entendia o que tinha acontecido”, lembra a mãe.

 

Muitos caminhos pela frente

Hoje, Melinda realiza todas as atividades esperadas para a idade. Estuda, brinca, faz natação e imagina diferentes caminhos para o futuro.

Ela pode seguir a odontologia, escolher a carreira policial ou descobrir uma profissão completamente diferente ao longo dos anos.

Por enquanto, cresce, faz planos e constrói o próprio caminho, como toda criança merece.

 

 

 


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