O III Congresso Internacional de Oncologia Pediátrica do GRAACC acontece no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo, e reúne, nos próximos três dias, especialistas nacionais e internacionais para discutir novidades, tendências, desafios e boas práticas no diagnóstico e tratamento do câncer infantil.
Nesta quinta-feira, 3 de setembro, a programação da Sala 1 começou com o curso “Da morfologia ao NGS: decidindo tratamento em leucemias agudas pediátricas”. A oncologista pediátrica Dra. Ana Virginia Lopes e as geneticistas Francine Tesser e Fernanda Lima, todas do GRAACC, coordenaram a atividade.
O curso apresentou quatro módulos complementares: diagnóstico inicial e os exames que não podem faltar; genética aplicada à leucemia linfoblástica aguda (LLA); precisão diagnóstica na leucemia mieloide aguda (LMA); e integração da genética em diferentes cenários da prática clínica.
Um dos principais pontos da apresentação foi a integração de diferentes métodos para alcançar um diagnóstico mais preciso das leucemias pediátricas.
“A morfologia levanta a primeira hipótese e é considerada um ponto de partida para o diagnóstico, mas ela sozinha não define a linhagem e não responde todas as perguntas. E, antes de chegarmos ao NGS, existe um olhar clínico que é insubstituível”, destacou a oncologista pediátrica do GRAACC, Dra. Ana Virginia Lopes.
Além disso, segundo a especialista, as tecnologias moleculares mais avançadas exigem etapas anteriores bem executadas. Por isso, a equipe precisa construir uma boa suspeita clínica, planejar a coleta e encaminhar corretamente as amostras para que os diferentes exames contribuam para o diagnóstico.
Na sequência, Ana Virginia apresentou as diferentes etapas dessa investigação: morfologia, imunofenotipagem, citogenética, biologia molecular e, por fim, o sequenciamento de nova geração (NGS).
Nesse processo, o planejamento tem papel essencial. “O planejamento é fundamental para um diagnóstico bem feito”, afirmou.
O sequenciamento de nova geração, ou NGS, permite analisar diferentes alterações genéticas presentes nas leucemias agudas pediátricas. Com isso, essas informações podem contribuir para uma classificação mais detalhada da doença e para decisões terapêuticas mais individualizadas.
Nesse contexto, a Dra. Ana Virginia ressaltou que a leucemia infantil não é uma doença única. Ao contrário, existem diferentes subtipos genéticos, com características biológicas e respostas ao tratamento distintas.
“Cada tumor tem um guarda-chuva de subtipos genéticos, cada um com biologia e resposta ao tratamento muito diferentes. O papel do NGS é justamente substituir a estratificação de risco ‘às cegas’ por uma estratificação baseada na alteração genética real da célula”, explicou.
Além disso, a especialista destacou que a análise molecular pode ajudar a identificar alterações específicas que orientem determinadas decisões ao longo do tratamento.
“O NGS funciona como ‘chave-fechadura’: ele identifica a lesão molecular específica, com o objetivo de compreender melhor a evolução da doença e a busca de droga-alvo, ou indicação de transplante de medula óssea em primeira remissão, em especial nas LMA cujo cariótipo é normal.”
Por fim, segundo ela, na maioria dos casos pediátricos, a terapia-alvo não substitui a quimioterapia. No entanto, pode ser incorporada à estratégia terapêutica de acordo com o perfil molecular de cada doença.
Ao analisar diferentes genes e alterações moleculares simultaneamente, o NGS ajuda a estratificar o risco e a definir a estratégia terapêutica.
Na leucemia linfoblástica aguda, por exemplo, o perfil genômico identifica diferentes subtipos biológicos. A equipe médica integra essas informações aos dados clínicos e laboratoriais para orientar a intensidade e as características do tratamento.
Em determinadas situações, a identificação de uma alteração molecular também indica a possibilidade de uma terapia direcionada a um alvo específico.
Dessa forma, o NGS complementa as demais ferramentas de diagnóstico das leucemias pediátricas e amplia as informações que a equipe médica usa para definir a abordagem mais adequada para cada paciente.
A discussão sobre genética e leucemia pediátrica continua nesta sexta-feira, 4 de setembro. A partir das 9h, o Congresso recebe o médico e pesquisador americano Dr. Charles Mullighan, vice-diretor sênior do Comprehensive Cancer Center do St. Jude Children’s Research Hospital.
O especialista participa da mesa “Mudando paradigmas na leucemia pediátrica”, na Sala 1 – lado B, e abordará o mapeamento genético dos diferentes subtipos biológicos das leucemias na infância e seu impacto nas decisões terapêuticas.
A programação do Congresso conta com a participação de especialistas representantes da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO), Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE), Sociedade Internacional de Oncologia Pediátrica (SIOP) e Sociedade Brasileira de Neurocirurgia Pediátrica (SBNPed).
Saiba mais em: https://congressograacc.com.br/graacc2026
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