O III Congresso Internacional de Oncologia Pediátrica do GRAACC segue reunindo especialistas para discutir diferentes dimensões do cuidado de crianças e adolescentes com câncer. Nesta mesa, o destaque foi a Escola Móvel do GRAACC, programa criado há 26 anos pela Profª Dra. Amalia Covic e pelo Prof. Eduardo Kanemoto.

Desde sua implementação, o projeto já acompanhou mais de 6 mil crianças e adolescentes. A proposta é garantir a continuidade da aprendizagem mesmo durante o tratamento oncológico.

O diagnóstico de câncer na infância pode interromper de forma abrupta a rotina escolar. Isso acontece justamente em uma fase na qual aprender, conviver e construir projetos de futuro são partes importantes do desenvolvimento.

Por isso, a Escola Móvel aproxima dois universos que precisam continuar conectados: o tratamento e a educação.

Educação durante o tratamento do câncer infantil

Na Escola Móvel do GRAACC, é o professor que vai até o aluno. As aulas podem acontecer no leito, na sala de quimioterapia ou em outros ambientes do hospital, sempre de acordo com as condições e necessidades de cada estudante.

Assim, duração, conteúdo, ritmo e local das atividades podem ser adaptados. O objetivo é manter a conexão da criança ou do adolescente com sua trajetória escolar enquanto o tratamento acontece.

Mais do que evitar a perda do ano letivo, o programa contribui para preservar elementos da vida cotidiana. Entre eles estão o aprendizado, a autonomia, os vínculos e a possibilidade de continuar fazendo planos para o futuro.

“A Escola Móvel não reduz o tempo de tratamento, mas restitui o tempo de vida”

Durante a apresentação, Amalia Covic destacou que a Escola Móvel também parte de uma reflexão sobre o tempo da criança durante o tratamento.

Enquanto a ciência busca novas respostas para o câncer, o cuidado também precisa considerar aquilo que existe para além da doença. Aprender, criar, escrever, imaginar e conversar sobre interesses pessoais são experiências que ajudam a criança a manter sua rotina e sua identidade.

Nesse sentido, a escola dentro do hospital não elimina os desafios impostos pelo tratamento. No entanto, cria caminhos para que outras dimensões da vida possam continuar.

“Uma ponte só existe porque existe um obstáculo que não pode ser ignorado. A Escola Móvel se estrutura a partir de dois mundos: o mundo do tratamento e o mundo da aprendizagem”, salientou a professora.

Em seguida, Amalia trouxe uma reflexão sobre o significado dessa ponte:

“A ponte não faz um rio desaparecer, ela não nega o adoecimento, não promete suavizar o percurso. O que a ponte faz é criar condições para que a vida continue em movimento. A Escola Móvel nasce desse reconhecimento, de que a vida precisa de movimento para continuar tendo um sentido, independentemente do desafio que se apresenta.”

Escola Móvel acompanha estudantes em diferentes etapas

Nas hospitalizações recorrentes ou de longa permanência, a Escola Móvel do GRAACC funciona como uma ponte entre o tratamento e a vida cotidiana.

Em vez de esperar o paciente retornar à escola para retomar os estudos, o programa leva a aprendizagem até onde ele está. Ao mesmo tempo, respeita seus limites físicos, emocionais e clínicos.

O atendimento contempla estudantes da educação infantil ao ensino superior. Além disso, a equipe mantém contato com as escolas de origem para dar continuidade à trajetória acadêmica de cada aluno.

O programa possibilita, inclusive, a realização do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) no ambiente hospitalar.

Dessa forma, a educação deixa de ser uma atividade necessariamente interrompida pela doença e passa a integrar o cuidado. A Escola Móvel do GRAACC ajuda a preservar vínculos, autonomia, pertencimento e, sobretudo, a possibilidade de continuar projetando o futuro durante o tratamento.

A programação do Congresso continua com a participação de especialistas representantes da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO), Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE), Sociedade Internacional de Oncologia Pediátrica (SIOP) e Sociedade Brasileira de Neurocirurgia Pediátrica (SBNPed).

Saiba mais em: https://congressograacc.com.br/graacc2026

Acompanhe a cobertura ao vivo no @instagraacc


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