Plano da OMS contra infecções

A Dra. Fabianne Carlesse, infectologista do GRAACC, apresentou em um artigo publicado no boletim on-line do St. Jude Children’s Research Hospital os principais pontos do Plano de Ação Global e Marco de Monitoramento para Prevenção e Controle de Infecções 2024–2030, da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Adotado pelos Estados-Membros durante a 77ª Assembleia Mundial da Saúde, o documento oferece, nesse contexto, um roteiro para que países e instituições desenvolvam programas de prevenção e controle de infecções mais sustentáveis, mensuráveis e integrados.

Além das recomendações, o plano estabelece ações, indicadores e metas que permitem acompanhar os avanços até 2030. Para orientar essa implementação, sua estrutura está organizada em oito direções estratégicas.

Compromisso político e governança

O primeiro eixo destaca a importância de políticas públicas, legislação, financiamento contínuo e estruturas de governança dedicadas à prevenção e ao controle de infecções. Além disso, prevê investimentos em infraestrutura, água, saneamento e higiene nos serviços de saúde.

Programas ativos de prevenção e controle de infecções

A partir dessa base, a OMS recomenda a criação e o fortalecimento de equipes multidisciplinares, com profissionais capacitados, liderança e recursos adequados. Da mesma forma, as instituições devem adotar diretrizes baseadas em evidências, sistemas de vigilância, limpeza ambiental e acompanhamento regular dos resultados.

Integração com outras áreas da saúde

As ações de prevenção não devem funcionar de forma isolada. O plano propõe a integração com áreas como segurança do paciente, resistência aos antimicrobianos, preparação para emergências, saúde materno-infantil e melhoria da qualidade assistencial.

Formação dos profissionais

Outro ponto fundamental é a capacitação das equipes. A proposta inclui, além disso, currículos padronizados para graduação, pós-graduação e educação continuada, além da criação de certificações e caminhos de desenvolvimento profissional na área.

Uso de dados para a tomada de decisões

A coleta e a análise de dados ajudam a identificar riscos e oportunidades de melhoria. Por isso, o plano incentiva sistemas de vigilância, indicadores padronizados e relatórios periódicos que apoiem decisões baseadas em evidências.

Comunicação e mobilização

A prevenção e o controle de infecções também dependem de uma comunicação clara e contínua. Governos, instituições, profissionais, pacientes e a sociedade devem participar de iniciativas que reforcem a importância do tema e combatam a desinformação, especialmente durante surtos e emergências de saúde.

Pesquisa e inovação

O plano propõe uma agenda global de pesquisa sobre infecções relacionadas à assistência, resistência aos antimicrobianos e avaliação de medidas preventivas. O objetivo é acelerar a aplicação das descobertas científicas nas políticas públicas e na prática assistencial.

Colaboração entre instituições

Por fim, a OMS destaca a necessidade de parcerias entre governos, hospitais, universidades, sociedades médicas, organizações de pacientes e agências internacionais. Essa colaboração favorece a troca de conhecimentos, a formação profissional e a disseminação de boas práticas.

Prevenção como pilar da segurança do paciente

O Plano de Ação Global reconhece a prevenção e o controle de infecções como elementos essenciais para a segurança do paciente, a preparação para pandemias e o enfrentamento da resistência aos antimicrobianos.

Nesse sentido, programas bem estruturados, aliados à capacitação profissional, à vigilância, à higiene das mãos e a uma infraestrutura adequada, podem contribuir para reduzir em até 70% as infecções relacionadas à assistência à saúde.

Diante desse cenário, o GRAACC mantém um compromisso contínuo com o controle de infecções, por meio de profissionais capacitados e parcerias internacionais que contribuem para o aprimoramento das práticas de cuidado.

Nesse contexto, o artigo da Dra. Fabianne reforça a importância de investir em prevenção não apenas para evitar infecções, mas também para fortalecer sistemas de saúde mais seguros, resilientes, eficientes e preparados para os desafios futuros.

Clique aqui e leia o artigo completo, disponível em inglês.


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