Especialistas discutem estratégias para prevenir, identificar e tratar rapidamente complicações durante o cuidado de crianças e adolescentes com câncer

O simpósio “Manejo das Urgências em Oncologia Pediátrica”, realizado durante o III Congresso Internacional de Oncologia Pediátrica do GRAACC, reuniu especialistas para discutir condições que exigem reconhecimento e intervenção rápidos durante o tratamento do câncer infantil.

Nesse contexto, o Dr. Flavio Luisi e a Dra. Dafne Cardoso Bourguignon da Silva coordenaram a atividade, que abordou reações transfusionais, gerenciamento do sangue do paciente (Patient Blood Management), trombose em oncologia pediátrica, emergências cardiológicas, neutropenia febril, sepse e choque séptico.

Ao longo das apresentações, os especialistas reforçaram a importância de identificar riscos precocemente e prevenir complicações. Além disso, destacaram a necessidade de uma resposta rápida e integrada diante das urgências em oncologia pediátrica.

Segurança transfusional

Entre os temas apresentados, a Dra. Edna Goto abordou as reações transfusionais e as medidas que podem aumentar a segurança desse processo.

Durante a palestra, a especialista discutiu complicações como TRALI, lesão pulmonar aguda relacionada à transfusão, e TACO, sobrecarga circulatória associada à transfusão. Além disso, destacou os riscos relacionados à contaminação bacteriana.

Diante desses riscos, a adoção de estratégias de prevenção e o reconhecimento precoce das complicações contribuem para tornar o processo transfusional mais seguro para os pacientes.

Trombose venosa no câncer pediátrico

A Dra. Christiane Pinto abordou a trombose venosa associada ao câncer pediátrico e destacou que a condição pode ocorrer até mesmo de forma assintomática.

Entre os fatores associados estão o uso de cateter venoso central, a quimioterapia, a imobilização, os processos inflamatórios e características relacionadas tanto à doença quanto ao tratamento.

Além disso, a especialista ressaltou que o cuidado não deve começar apenas depois do surgimento da trombose. A identificação precoce dos fatores de risco permite que a equipe avalie cada paciente de forma individualizada e defina estratégias de prevenção e tratamento.

Cada gota de sangue importa

A preservação do sangue do próprio paciente foi o foco da palestra sobre Patient Blood Management (PBM), apresentada pela Dra. Isabel.

A estratégia reúne medidas para reduzir a necessidade de transfusões. Entre elas estão o envolvimento precoce do hematologista e a redução da quantidade e da frequência das coletas de sangue em pacientes pediátricos.

No contexto do tratamento oncológico, a abordagem reforça uma ideia importante: cada gota de sangue importa. Por isso, mudanças nas práticas assistenciais podem ajudar a reduzir perdas desnecessárias e adequar ainda mais o cuidado às necessidades de crianças e adolescentes.

Resposta rápida diante da sepse

O simpósio também destacou a importância de reconhecer rapidamente os sinais de deterioração clínica.

Nesse sentido, durante sua apresentação, o Dr. Rafael Azevedo abordou sepse e choque séptico e reforçou o papel de equipes treinadas e de protocolos internos para orientar a tomada de decisão diante de uma suspeita.

Entre as medidas previstas no chamado bundle estão a avaliação do paciente, a medição do lactato, a coleta de hemoculturas e o início de antibióticos empíricos de amplo espectro.

Além disso, nos casos de suspeita de choque séptico, a equipe deve iniciar a antibioticoterapia rapidamente, de acordo com os protocolos estabelecidos para esse tipo de emergência.

Na sequência, a programação também contou com a participação da Dra. Adriana Silva, que abordou a neutropenia febril, e da Dra. Bianca Santoro, responsável pela discussão sobre as principais emergências cardiológicas em oncologia pediátrica.

Dessa forma, o simpósio reuniu diferentes situações que exigem atenção imediata das equipes envolvidas no cuidado oncológico.

Segurança depende de prevenção e resposta rápida

Ao longo das palestras, os especialistas destacaram que a segurança no cuidado de crianças e adolescentes com câncer depende não apenas do conhecimento técnico, mas também da capacidade de reconhecer riscos, prevenir complicações e responder rapidamente às mudanças no quadro clínico.

Por isso, momentos de atualização como o simpósio contribuem para ampliar o conhecimento dos profissionais e, ao mesmo tempo, fortalecer práticas assistenciais cada vez mais seguras e qualificadas.

O III Congresso Internacional de Oncologia Pediátrica do GRAACC também conta com a participação de especialistas representantes da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO), Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE), Sociedade Internacional de Oncologia Pediátrica (SIOP) e Sociedade Brasileira de Neurocirurgia Pediátrica (SBNPed).

Saiba mais sobre a programação do Congresso do GRAACC:
https://congressograacc.com.br/graacc2026

Acompanhe também a cobertura ao vivo no @instagraacc.


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