Neste sábado, 5 de setembro, o III Congresso Internacional de Oncologia Pediátrica do GRAACC chega ao último dia.
O evento reuniu médicos oncologistas do Brasil e de diferentes regiões do mundo, além de palestrantes e profissionais de diversas áreas.
A Dra. Carlota Blassioli coordenou o Simpósio de Cuidados Paliativos, que abordou temas como cenários de incerteza, ética, responsabilidade, interesse da criança, direito parental, avanços da medicina e conflitos morais.
No primeiro momento da mesa, o Dr. Bruno Cuturi, especialista em Hematologia-Oncologia Pediátrica e Cuidados Paliativos Pediátricos, em Montevidéu, no Uruguai, discutiu a conduta das equipes diante da dor física e do medo dos pacientes.
“Uma pergunta clínica que temos que fazer: o que precisamos mudar hoje para que o hoje seja suportável? Acompanhar o sofrimento infantil nos desafia e não podemos confundir o ‘fazer demais’ com cuidar melhor”, pontuou Cuturi.
Ao longo da apresentação, o médico propôs diferentes reflexões sobre o cuidado e destacou também a importância da escuta.
“Quando uma dor não responde, devemos aumentar nossa competência técnica e usar todos os recursos que temos, mas, principalmente, precisamos aumentar outra competência: a nossa capacidade de escutar.”
Na sequência, Daniel Garros, médico pediatra do Stollery Children’s Hospital, no Canadá, falou sobre recursos tecnológicos que as equipes já utilizam em determinadas situações.
Durante a apresentação, o médico destacou que, embora a tecnologia possa oferecer mais tempo às famílias, ela também tem limites.
“As tecnologias dão um presente às famílias, que é o presente do tempo de convívio com seus filhos, mas todos precisam saber que a tecnologia pode falhar.”
Nesse contexto, Garros apresentou um caso clínico no qual a equipe optou pelo uso da ECMO.
O recurso tecnológico associado, no caso apresentado, a cerca de 42% de chance de sobrevida.
ECMO significa Extracorporeal Membrane Oxygenation (oxigenação por membrana extracorpórea).
Ao considerar o uso desse recurso, a equipe avalia fatores como o tipo e o estágio do câncer, a possibilidade de controle da doença, o prognóstico, a causa da falência dos órgãos e a possibilidade de recuperação.
Em termos simples, a ECMO não trata o câncer diretamente.
Ela funciona como uma espécie de “ponte”, mantendo a oxigenação e/ou a circulação enquanto a equipe trata a causa da insuficiência e busca permitir a recuperação dos órgãos.
Ao mesmo tempo, Garros reforçou que o uso da tecnologia também exige reconhecer seus limites.
“Mas não se esqueçam: há um tempo para parar, não podemos nos entusiasmar com as altas tecnologias”, finalizou.
Nos cuidados paliativos pediátricos, a equipe não pode simplesmente esperar que todas as incertezas desapareçam para então tomar uma decisão.
Por isso, profissionais, pacientes e famílias constroem decisões proporcionais, individualizadas e centradas na criança.
Isso significa considerar não apenas a possibilidade de controlar a doença, mas também o sofrimento provocado pelo tratamento, a qualidade de vida e os valores da família.
Além disso, a equipe considera a participação da criança de acordo com sua idade e capacidade de compreensão, assim como aquilo que é significativo para sua vida.
Dessa forma, o cuidado paliativo não representa a interrupção do cuidado. Pelo contrário, pode significar uma mudança ou ampliação de foco.
Mesmo quando a equipe não consegue garantir um determinado desfecho, ela pode continuar garantindo presença, conforto, comunicação, cuidado e dignidade.
Enquanto isso, o último dia do III Congresso Internacional de Oncologia Pediátrica do GRAACC segue com estudos de casos, aulas e debates sobre o futuro da oncologia pediátrica no Brasil e no mundo.
A programação também conta com a participação de especialistas representantes da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO), Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE), Sociedade Internacional de Oncologia Pediátrica (SIOP) e Sociedade Brasileira de Neurocirurgia Pediátrica (SBNPed).
Saiba mais em: https://congressograacc.com.br/graacc2026
Acompanhe a cobertura ao vivo no @instagraacc
Por Andrea Garbim

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