Como parte de um caminho para compartilhar conhecimento e ampliar as chances de cura do câncer infantojuvenil, promovemos o Congresso Internacional de Oncologia Pediátrica. Um evento de três dias e cerca de 170 palestrantes para trocar conhecimento sobre procedimentos e estudos que levam nivelam procedimentos e protocolos para alcançar a cura.

“Nosso objetivo foi cumprido: com um conteúdo rico em informação científica, os participantes retornaram às suas rotinas mais estimulados pelas atualizações e experiências trocadas com quem vivencia e pesquisa a prática médica no dia a dia”, comemora a Presidente do Congresso e diretora médica assistencial de nosso hospital, Dra. Monica Cypriano.

Desigualdade na cura do câncer pediátrico: um desafio de todos

Atualmente o panorama do câncer pediátrico no mundo não é simplista. Por isso, os médicos presentes no Congresso se esforçaram para debater não apenas as novas terapias e técnicas que alcançam mais resultados para a cura do paciente. Mas também os protocolos acessíveis em ocasiões e lugares que não possuem tantos recursos à mão. Do contrario das realidades distantes de centros de referência eram sempre lembradas nas mesas e discussões de casos.

A razão para essa preocupação está na desigualdade regional, que se torna um grande obstáculo para o combate ao câncer pediátrico:

Metade das crianças e adolescentes com câncer no mundo não recebe sequer o diagnóstico (levantamento publicado no periódico The Lancet);
Entre 80 e 90% dos casos de câncer pediátrico ocorrem em países de baixa e média renda (OPAS/OMS);
60% é a meta de taxa mundial de sobrevida determinada pela Iniciativa Global da Organização Mundial da Saúde para o ano de 2030. Atualmente, a taxa global é de 30% (CureAll/ OMS).

Se a falta de acesso à saúde já agrava problemas durante o desenvolvimento infantil, em casos de câncer, pode tornar-se fatal. Foi o que apontou a Dra. Sima Ferman (INCA) em estudos que relacionam o impacto do diagnóstico precoce na cura do câncer pediátrico no Brasil durante o curso e pré-congresso sobre o tema.

Acesso a um pediatra na atenção básica é algo que a Dra. Rosana Fiorini Puccini, do Departamento de Pediatria da EPM/Unifesp, acredita que faria diferença. “Se há um lugar onde vale o investimento , é na atenção básica, em que a falta de vínculo profissional gera problemas gritantes”, alertou.

Colaborações internacionais

Entre as estratégias para obter diagnóstico precoce na América Latina, os programas voltados para a detecção precoce de sinais e sintomas saíram à frente dos resultados obtidos em triagens sistemáticas.

Um exemplo citado pela Dra. Liliana Vásquez foi o curso virtual sobre diagnóstico precoce do câncer na infância e na adolescência da Organização Pan-Americana da Saúde da Organização Mundial da Saúde. Ainda mais que é consultora internacional de câncer infantil. Esse curso é disponibilizado gratuitamente aos médicos em três idiomas. Entre as campanhas de conscientização, “Um Flash Salva”, promovida pelo nosso centro médico, foi um dos bons exemplos citados pela médica peruana.

Antes de tudo nas conferências magnas, o desafio de vencer as desigualdades também teve destaque, principalmente na abertura e no encerramento do Congresso. Nesse sentido a primeira delas, o Dr. Amar Gajjar (St Jude Children’s Research Hospital), vencedor do prêmio de Oncologia Pediátrica da ASCO 2022 (Sociedade de Clínica Oncológica Americana), o maior congresso mundial sobre câncer, por seus esforços, principalmente na cura e qualidade de vida de crianças que tiveram meduloblastoma, estampou no mapa-múndi a desigualdade no acesso a ferramentas importantes para o desfecho clínico dos casos de tumores cerebrais pediátricos, como neurocirurgias, testes moleculares e radioterapia.

Nossa neuro-oncologista pediátrica, Dra. Andrea Cappellano, que representou também a Sociedade Latino- Americana de Oncologia Pediátrica – SLAOP – como presidente, aproveitou a oportunidade para pedir recomendações de como promover tratamento mais igualitário em um continente tão desigual como o Brasil.

Primeiramente ela lembrou que, aqui no Brasil, há hospitais em busca de tecnologia avançada para oncologia pediátrica. E podem proporcionar melhor qualidade de vida a longo prazo para o paciente. Muitos deles ainda enfrentam o desafio de aumentar seus índices de cura.

Também sobre esse assunto, as recomendações do Dr. Amar Gajjar foram no sentido de melhorar a infraestrutura atual, buscar acesso às terapias-alvo, algo que tende a ter preços reduzidos com o tempo e, enquanto isso, aplicar a quimioterapia, sempre avaliando os riscos de toxicidades e efeitos nocivos aos pacientes.

Em seguida, outras dicas do médico do St Jude Children’s Research Hospital para vencer os desafios dos tumores cerebrais em países de baixa e média renda foram:

Cuidado multidisciplinar eficaz (com equipes coordenadas);
Profissionais com conhecimento especializado;
Colaborações institucionais, regionais e internacionais;
Otimização dos recursos disponíveis.

Nesse sentido, a conferência magna de encerramento com o Dr. Carlos Rodriguez-Galindo, presidente do Departamento de Medicina Pediátrica Global, e diretor do St. Jude Global, abordou a Oncologia Pediátrica.

Nela, houve a discussão de como a taxa mundial de apenas 30% de sobrevida do câncer pediátrico foi decorrente do diagnóstico tardio ou, muitas vezes, de falhas em se diagnosticar câncer nessa idade, além de abandono de tratamento, desnutrição e falta de cuidados paliativos, de treinamento e apoio de enfermagem e de cuidados complementares.

Outra questão é que as prioridades de saúde nos países de baixa e média renda são as doenças transmissíveis que podem ser prevenidas por vacinas e acesso ao saneamento básico, além de acesso à água potável. Em segundo lugar, ficaram os assuntos frequentes como doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade, câncer em adultos etc. Assim, poucos recursos são destinados ao combate ao câncer em crianças e adolescentes.

O médico apresentou a Aliança Global St. Jude, que tem como um dos principais pilares a capacitação, a educação, a pesquisa e a advocacia e a mobilização de recursos para elevar a taxa de cura mundial.

Esse foi um lembrete de como nosso Hospital, assim como o Hospital St. Jude, nasceu da aliança entre a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a sociedade (doações e administração) e o governo (Sistema Único de Saúde- SUS).

Por essa razão, teve acesso à gestão voluntária e eficiente e a recursos humanos e financeiros diferenciados desde a sua fundação. Isso resultou na possibilidade de oferecer taxa média de sobrevida em 72% dos casos. Além da colaboração com a Iniciativa Global da OMS CureAll e com a Aliança Global St. Jude.

Novos avanços em direção à cura

Com frequência, as pessoas perguntam se já existe a cura do câncer pediátrico. Nesse sentido informa-se que não existe uma medicação capaz de tratar todos os tipos de tumores que acontecem no início da vida. Porém, há o desenvolvimento de uma oncologia pediátrica cada vez mais personalizada, que consegue obter mais informações das células tumorais e uma base de características genéticas do paciente para que os médicos possam antecipar qual o tratamento terá melhor resposta.

Com base nas informações que a biologia molecular já foi capaz de obter, estão em desenvolvimento diversos tipos de terapias-alvo. Diferentemente da quimioterapia, elas atingem diretamente as células tumorais. Por fim maioria ainda é pouco acessível, todavia a tendência comentada por muitos palestrantes é de que se tornarão mais populares com o tempo. Algumas delas, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já aproveitou.

Outro tratamento relevante é o que ensina o organismo a se defender contra as células do tumor, a imunoterapia. Há alguns medicamentos que fazem isso contra linfomas com menos efeitos colaterais e mais possibilidades de cura em casos graves. Assim como as terapias-alvo, a imunoterapia tende a se tornar mais acessível com o avanço dos estudos e a obtenção de mais resultados importantes.

Um tipo específico de imunoterapia que já está em uso no exterior para combater a leucemia linfoide aguda é o produto biológico obtido por meio das células CAR-T do próprio paciente, modificadas em laboratório com a ajuda da propriedade que os vírus têm de se incorporar às células.

Após um longo, difícil e caro processo, essas células retornam ao paciente e passam a atacar o câncer. Os médicos que administram esse tipo de protocolo no exterior e os que analisam a implantação dele no Brasil são os especialistas em transplante de medula óssea. Essa imunoterapia tem efeitos colaterais parecidos com os do CAR-T cell.

Por fim, outras descobertas da biologia molecular foram discutidas entre os casos nos simpósios de cada especialidade. Sobretudo uma delas foi um novo tipo de sarcoma, parecido com o sarcoma de Ewing. Ainda mais que foi confundido com ele durante muito tempo. “Agora entendemos que há diferença na estratificação e no prognóstico. Por fim, o protocolo segue o mesmo, porém, a descoberta torna a ciência mais próxima do desenvolvimento de uma nova terapia-alvo, por exemplo. O conhecimento nos torna mais próximos da cura”, explicou a nossa especialista em tumores ósseos, Dra. Carla Macedo.


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