A enfermagem no câncer infantil desempenha um papel essencial em diferentes momentos da jornada de crianças e adolescentes em tratamento. Além dos procedimentos e da administração de medicamentos, esses profissionais oferecem escuta, acolhimento, controle de sintomas, orientação e proximidade com pacientes e familiares.
Esse olhar ampliado para a assistência esteve entre os temas do III Congresso Internacional de Oncologia Pediátrica do GRAACC. Durante uma sessão dedicada à enfermagem, especialistas discutiram diferentes aspectos do cuidado e compartilharam experiências da prática profissional.
Uma das apresentações foi “Cuidado de enfermagem no câncer infantil: uma abordagem qualitativa (Roda do Cuidar)”. Carolina Paula Jesus Kasa, enfermeira especialista em cuidados paliativos do GRAACC, conduziu a atividade.
Durante a apresentação, Carolina falou sobre a Roda do Cuidar, projeto criado no GRAACC em outubro de 2025. A iniciativa nasceu como um encontro entre profissionais da equipe de enfermagem e, posteriormente, se transformou em um espaço estruturado de troca de experiências, reflexão e escuta.
Os encontros acontecem mensalmente. Nesse espaço, os profissionais podem compartilhar vivências, anseios e situações desafiadoras da assistência, incluindo casos difíceis acompanhados pela equipe.
“É um momento de reflexão, de escuta e de ser escutado. Nesse espaço, construímos sentidos e provocamos novas perspectivas sobre aquilo que vivemos”, destacou Carolina.
Dessa forma, a Roda do Cuidar amplia o olhar sobre a oncologia pediátrica ao incluir também quem cuida. A proposta oferece aos profissionais de enfermagem um espaço de acolhimento, diálogo e reflexão diante dos desafios da rotina assistencial.
Além do cuidado com os profissionais, a programação abordou o manejo de feridas oncológicas. Enfermeira e pós-doutora em Saúde do Adulto pela Escola de Enfermagem da USP, Diana Lima Villela de Castro apresentou a palestra “Manejo de Feridas Oncológicas e a Educação da Família para Cuidados Domiciliares”.
A discussão também levou o cuidado para além do ambiente hospitalar. Nesse contexto, familiares e responsáveis desempenham um papel importante na continuidade de determinadas orientações em casa.
Por isso, preparar essas pessoas para os cuidados necessários contribui para manter a assistência adequada no cotidiano do paciente.
A sessão também contou com a apresentação “Manejo de Feridas Neoplásicas baseado nas evidências para controle dos sintomas”. Caroline Silveira, da Aflorar Serviços de Enfermagem e Educação em Saúde, conduziu a palestra.
Enfermeira e mestre em Ciências pela Escola de Enfermagem da USP, Caroline possui formação em Estomaterapia e Cuidados Paliativos. Além disso, atua na formação de profissionais de saúde.
Durante a palestra, Caroline explicou que, embora as feridas neoplásicas não estejam presentes em todos os pacientes, elas podem ocorrer com maior frequência em determinados tipos de tumor. Além disso, essas lesões podem causar impactos importantes ao longo do tratamento.
Por esse motivo, a profissional reforçou a importância de compreender a origem da lesão, a fase da doença e as condições de cada paciente antes de definir a conduta.
“Precisamos ter um olhar mais amplo para a origem da lesão e compreender a fase da doença para definir a melhor conduta. Além dos sintomas físicos, essas feridas podem trazer impactos emocionais, sofrimento existencial e espiritual. Por isso, o cuidado precisa ser multidimensional e ter como foco também a qualidade de vida do paciente”, destacou Caroline.
Nesse sentido, as evidências científicas apoiam as decisões dos profissionais. Ao mesmo tempo, o manejo exige uma avaliação individualizada.
Assim, a equipe une conhecimento técnico e um olhar para as diferentes dimensões do paciente na busca pelo controle dos sintomas e por uma assistência adequada às suas necessidades.
Ao reunir diferentes perspectivas, a sessão reforçou a importância da enfermagem no câncer infantil como parte do cuidado integral.
Conhecimento técnico, proximidade, escuta e orientação às famílias se complementam ao longo do tratamento. Além disso, a presença constante dos profissionais de enfermagem ajuda a identificar necessidades e a apoiar pacientes e familiares nas diferentes etapas da jornada oncológica.
No GRAACC, a enfermagem integra o trabalho multidisciplinar voltado ao cuidado de crianças e adolescentes com câncer. Dessa maneira, diferentes áreas atuam de forma integrada para atender às necessidades de cada paciente.
A programação também conta com a participação de especialistas representantes da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO), Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE), Sociedade Internacional de Oncologia Pediátrica (SIOP) e Sociedade Brasileira de Neurocirurgia Pediátrica (SBNPed).
Saiba mais em: https://congressograacc.com.br/graacc2026
Acompanhe a cobertura ao vivo no @instagraacc

Entender os sinais e sintomas do câncer infantojuvenil é um passo fundamental para garantir o...

Todos os anos, o nosso hospital atende, graças aos nossos parceiros do GRAACC, milhares de crianças...

Veja como foi a 23ª Corrida e Caminhada COMEXPORT GRAACC Mais de quinze mil pessoas...

Uma ação de Natal, idealizada com os amigos, foi o que despertou o desejo em...