O neuroblastoma é um dos tumores malignos mais frequentes na infância e acomete principalmente crianças pequenas. A idade média ao diagnóstico é de 19 meses, e 89% dos pacientes têm menos de 5 anos.

Uma das características da doença é a diversidade de seu comportamento. Enquanto alguns casos apresentam evolução mais favorável, outros exigem tratamentos mais intensivos. Por isso, características clínicas, genéticas e biológicas ajudam as equipes médicas a classificar os pacientes em grupos de risco e a definir estratégias para cada situação.

Os desafios relacionados ao neuroblastoma de alto risco estiveram no centro de uma sessão do nosso III Congresso Internacional de Oncologia Pediátrica. Especialistas dos Estados Unidos, Espanha e Canadá compartilharam experiências internacionais. Além disso, apresentaram avanços da pesquisa e estratégias que buscam aprimorar o cuidado desses pacientes.

Estratégias para o neuroblastoma de alto risco

A oncologista pediátrica Rochelle Bagatell, do Children’s Hospital of Philadelphia (CHOP), nos Estados Unidos, abriu a programação com a palestra “High-Risk Management: Current COG Strategies and Outcomes”.

Especialista no cuidado de crianças com tumores sólidos, principalmente neuroblastoma, Bagatell apresentou estratégias atuais e resultados relacionados ao tratamento dos pacientes de alto risco. Para isso, trouxe a experiência do Children’s Oncology Group (COG).

A especialista também destacou que os avanços precisam buscar melhores respostas ao tratamento e, ao mesmo tempo, reduzir os efeitos associados às terapias atuais.

“Precisamos fazer melhor. Precisamos reduzir o uso de alguns agentes que causam mais toxicidade e desenvolver estratégias melhores para os pacientes que não respondem ao tratamento”, afirmou Bagatell.

Dessa forma, a apresentação trouxe ao Congresso um panorama das práticas atuais e dos caminhos que os pesquisadores investigam para melhorar os resultados no neuroblastoma de alto risco.

Experiência europeia no tratamento do neuroblastoma

O oncologista pediátrico Lucas Moreno, do Vall d’Hebron University Hospital, em Barcelona, na Espanha, apresentou uma segunda perspectiva internacional. O especialista também preside a SIOPEN, rede europeia dedicada ao estudo do neuroblastoma.

Na palestra “High-Risk Neuroblastoma in Europe: The SIOPEN Experience”, Moreno compartilhou a experiência europeia no cuidado de pacientes com neuroblastoma de alto risco. Além disso, apresentou estratégias que o grupo pesquisa e discute atualmente.

“Ainda há muitos pacientes com neuroblastoma de alto risco que apresentam recaída e têm resultados desfavoráveis. Precisamos trabalhar para mudar esse cenário”, destacou Moreno.

Nesse contexto, a colaboração entre diferentes centros ganha importância. Ao reunir conhecimentos e resultados de diversas instituições, as redes de pesquisa ampliam a capacidade de desenvolver estudos e investigar novas possibilidades terapêuticas.

Pesquisa busca novas estratégias para o neuroblastoma

O conhecimento sobre as características biológicas do tumor e sua aplicação na pesquisa também fizeram parte da programação.

Na apresentação “Advances in High-Risk Neuroblastoma: Biology, Translational Research, and Emerging Strategies”, Daniel Morgenstern, oncologista pediátrico do Hospital for Sick Children (SickKids), em Toronto, no Canadá, abordou avanços na compreensão da doença.

Além disso, o especialista discutiu pesquisa translacional e estratégias emergentes para os casos de maior risco. Morgenstern atua no programa de neuroblastoma do hospital canadense e no desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas para cânceres pediátricos de difícil tratamento.

A apresentação destacou um caminho que ganha cada vez mais espaço na oncologia pediátrica: compreender melhor as características do tumor e aproximar as descobertas científicas da prática clínica.

Assim, os conhecimentos produzidos pela pesquisa podem abrir novas possibilidades de investigação para o tratamento dos pacientes.

GRAACC amplia participação em pesquisas internacionais

Os avanços no tratamento do neuroblastoma de alto risco também dependem da cooperação entre centros especializados e do desenvolvimento de estudos clínicos.

Em 2026, o GRAACC se tornou o primeiro hospital da América do Sul a integrar o Beat Childhood Cancer Research Consortium (BCC). A rede internacional reúne mais de 50 universidades e hospitais infantis envolvidos em pesquisas sobre câncer pediátrico.

Com essa parceria, nosso hospital amplia a participação em estudos internacionais e fortalece a troca de conhecimento sobre novas abordagens terapêuticas.

Entre os protocolos relacionados a essa atuação está o BCC018, estudo de Fase II que avalia o uso do naxitamabe, uma imunoterapia anti-GD2, associado à quimioterapia. O estudo investiga essa estratégia na etapa inicial do tratamento de pacientes recém-diagnosticados com neuroblastoma de alto risco.

A terapia anti-GD2 utiliza anticorpos que reconhecem uma molécula encontrada em grande quantidade nas células desse tumor. Dessa maneira, busca ajudar o sistema imunológico a identificar e combater as células tumorais de forma mais direcionada.

No GRAACC, as oncologistas pediátricas Eliana Maria Monteiro Caran, especialista em neuroblastoma, e Natalia Brenneken Duarte Ambar, especialista em tumores sólidos, conduzem a participação nessa frente de pesquisa.

Cooperação amplia caminhos no neuroblastoma de alto risco

As experiências apresentadas no Congresso mostram que o cuidado de pacientes com neuroblastoma de alto risco continua em evolução. A cooperação internacional, o conhecimento sobre a biologia tumoral e o desenvolvimento de novas estratégias ampliam as possibilidades de pesquisa para os casos mais complexos.

Ao reunir perspectivas dos Estados Unidos, Europa e Canadá, o encontro favoreceu a troca de experiências entre especialistas. Ao mesmo tempo, a participação do GRAACC em pesquisas internacionais aproxima nosso hospital das discussões que buscam novas possibilidades para o tratamento da doença.

Assim, compartilhar conhecimento, desenvolver pesquisas e ampliar a cooperação entre centros especializados são caminhos importantes para continuar avançando no cuidado de crianças com neuroblastoma.

A programação também conta com a participação de especialistas representantes da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO), Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE), Sociedade Internacional de Oncologia Pediátrica (SIOP) e Sociedade Brasileira de Neurocirurgia Pediátrica (SBNPed).

Saiba mais em: https://congressograacc.com.br/graacc2026

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