Pensar no futuro, descobrir talentos e explorar possibilidades profissionais são experiências importantes na adolescência. Para seis jovens em tratamento oncológico no Hospital do GRAACC, essas descobertas ganharam um novo significado por meio de projeto de orientação vocacional para adolescentes, desenvolvido em parceria com a NextStep Fitipaldi & Paganini Academy. A iniciativa foi realizada voluntariamente pelas consultoras Cristiane Kapaz Fitipaldi e Maria Rita Paganini e contou com a participação de alunos da Escola Móvel do GRAACC, que garante a continuidade dos estudos durante o tratamento do câncer infantojuvenil.

Ao longo de seis encontros, os adolescentes participaram de atividades voltadas ao autoconhecimento, à identificação de habilidades e à descoberta de interesses profissionais.
Eles puderam refletir sobre a escolha de uma carreira e tiveram a oportunidade de experimentar novas atividades, expressar suas ideias e ampliar suas perspectivas para o futuro.

Orientação vocacional e criação de jornal

Um dos principais resultados da iniciativa foi a criação do jornal Vozes do GRAACC, idealizado como um espaço para que os adolescentes pudessem expressar suas ideias, compartilhar interesses e desenvolver diferentes habilidades.
A proposta surgiu a partir das experiências e dos talentos identificados durante os encontros, transformando as descobertas individuais em um projeto coletivo.

Seis adolescentes da Escola Móvel do GRAACC, Victoria Gomes dos Santos, Ana Carolina Braga Alcântara, Natan Santos Pimentel, Ana Clara Blecha, Gabriel Gonçalves e Sophia Elias, produziram o periódico.
Cada um contribuiu com seus interesses e habilidades, tornando o jornal um espaço de criatividade, colaboração e protagonismo juvenil.

Para Maria Rita Paganini, que tem formação em psicanálise e atua com orientação vocacional, experimentar diferentes atividades é fundamental para reconhecer talentos e descobrir possibilidades profissionais. “Vocação não se descobre só com questionários. Ela aparece quando a pessoa experimenta e percebe o que a move”, explica.

Durante os encontros, as consultoras perceberam a diversidade de interesses dos adolescentes e identificaram no jornal uma oportunidade de reunir essas habilidades em uma experiência compartilhada. “Fomos conhecendo cada um: uma desenhava, outra escrevia, outro era apaixonado por esportes; tinha quem gostasse de confeitaria, quem se interessasse por marketing e quem amasse design. Um jornal poderia reunir tudo isso e dar a eles um projeto próprio, que continuasse com os jovens que viessem depois”, ressalta Maria Rita.

Escrita como forma de expressão

Para Victoria Gomes dos Santos, de 18 anos, a participação no projeto foi uma oportunidade de explorar sua criatividade e abordar um tema pelo qual tem interesse: a saúde mental. “Escolhi escrever sobre saúde mental e para ilustrar minha matéria, pintei um girassol, porque achei que ele combinava com o tema, além de transmitir uma mensagem de reflexão e cuidado. Pretendo seguir na área de psicologia e prestar o Enem no próximo ano”, conta a jovem.

A experiência de Victoria exemplifica como a orientação vocacional pode contribuir para o desenvolvimento pessoal dos adolescentes, incentivando o reconhecimento de suas habilidades e a construção de projetos de vida. O objetivo não é antecipar decisões sobre a escolha de uma profissão, mas proporcionar experiências que permitam aos jovens conhecer melhor seus interesses e descobrir novas possibilidades.

Para Cristiane Kapaz Fitipaldi, terapeuta sistêmica, é importante oferecer um ambiente acolhedor, no qual cada adolescente possa experimentar sem a pressão de definir seu futuro profissional. “Gosto de pensar no jornal como um lugar para experimentar. Cada jovem chega com o que já gosta de fazer, seja escrever, desenhar, entrevistar, fotografar ou falar de esporte, e, no caminho, vai descobrindo o que mais tem vontade de tentar. Não tem teste, não tem nota, e ninguém precisa decidir nada”, afirma.

Escola Móvel do GRAACC

O projeto de orientação vocacional complementa o trabalho desenvolvido pela Escola Móvel do GRAACC, que oferece continuidade aos estudos de crianças e adolescentes durante o tratamento oncológico. Além de preservar o vínculo com a aprendizagem, iniciativas como essa ampliam as oportunidades de desenvolvimento, incentivam a autonomia e valorizam os interesses dos jovens para além da rotina hospitalar.

A criação do jornal Vozes do GRAACC demonstra como a educação durante o tratamento do câncer pode incorporar experiências de criatividade, colaboração e protagonismo, contribuindo para que os adolescentes continuem construindo planos e sonhos para o futuro. “Ações como esta fortalecem o cuidado com nossos adolescentes, oferecendo oportunidades para que expressem suas ideias, descubram seus talentos e reconheçam tudo o que ainda podem realizar”, destaca Tammy Allersdorfer, superintendente de Desenvolvimento Institucional do GRAACC.

Clique aqui e confira o jornal Vozes do GRAACC


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